Eu, etiqueta
"(...) É doce estar na moda.
Ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solitário.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas indiossicrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam...
Já não me convém o título de homem,
meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente."
Carlos Drummond de Andrad
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!
Vinícius de Moraes
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...
Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!
A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...
Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...
Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!
Vinícius de Moraes
Eu não existo sem você
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
Vinícius de Moraes
Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você
Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você
Vinícius de Moraes
"É melhor você ter uma mulher engraçada do que linda, que sempre te acompanha nas festas, adora uma cerveja, gosta de futebol, prefere andar de chinelo e vestidinho, ou então calça jeans desbotada e camiseta básica, faz academia quando dá, come carne, é simpática, não liga pra grana, só quer uma vida tranqüila e saudável, é desencanada e adora dar risada.
Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps.
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa.
Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí?
Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE!!"
"E não se esqueça...Mulher bonita demais e melancia grande, ninguém come sozinho!
Do que ter uma mulher perfeitinha, que não curte nada, se veste feito um manequim de vitrine, nunca toma porre e só sabe contar até quinze, que é até onde chega a sequência de bíceps e tríceps.
Legal mesmo é mulher de verdade. E daí se ela tem celulite? O senso de humor compensa.
Pode ter uns quilinhos a mais, mas é uma ótima companheira. Pode até ser meio mal educada quando você larga a cueca no meio da sala, mas e daí?
Porque celulite, gordurinhas e desorganização têm solução. Mas ainda não criaram um remédio pra FUTILIDADE!!"
"E não se esqueça...Mulher bonita demais e melancia grande, ninguém come sozinho!
domingo, 19 de junho de 2011

"Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos."
Clarice Lispector
do livro Rapto de Memória
Mas existia ainda um desconforto, talvez maior que as outras dores; inconformada, não sabia que rumo dar à vida.
Dias sem sol, noites sem estrelas: pesadelos.
-Não, nada demais. Tudo bem! Você está ótima.
- Como? Se me parece que vou vomitar a alma!
-Exagero é característica sua. O que você possui em excesso, as pessoas, a maioria delas, têm de menos: imaginação e sensibilidade. Não sou oráculo, não me olhe assim. Você questiona a extinção de sua raça. Todos os seus sintomas são verdadeiros, não são dores inventadas e podem levá-la à morte naturalmente, sem tragédia; apenas não se sente mais a vida. Não faça essa expressão de desentendida. Sabe muito bem do que estou falando. A solução parece simples, mas não é, parece complexa, e não deixa de ser rotineira. O cotidiano é, às vezes, desconexo, sem sentido. As mesmas coisas podem ser feitas com ou sem prazer pela mesma pessoa, é contraditório...
-Eu sei, mas...
O excesso de amor também confunde. O perfeccionismo gera esse desconforto. Imagine, cada pessoa tem seu script, o seu papel existencial que bem ou mal representa. Há que se respeitar o direito que lhe cabe.
A nós coube apenas uma insignificante ponta no espetáculo - a figura secundária que atravessa o palco como meteoro é tão fugaz que , se é percebida, logo cai no esquecimento.
-Talvez seja a hora de valorizar-se a história familiar onde quer que se encontre. As organizações coletivas representarão inúmeros EUS, incontáveis vontades.
- O pano de fundo mítico, a grande reserva ecológica, o buraco de ozônio, o final do milênio, o caos...
Obviamente tudo isso é importante. Pense e visualize o seu canto de guerra, seu grito preso, asfixiado na garganta; antes disso, sinta-o e o administre. Seja prática. O momento presente... Sinta-se dos pés às pontas dos cabelos; do fundo da alma ao mais belo e frívolo vestido; viva suas emoções nas emoções do outros: músicas, danças, pinturas, perfumes, no romance historiado quase crônica, quase vida: histórias... - Pois é, mas...
- Quem sabe se nos livrássemos do peso escuro da história que não a ajudamos a escrever, (não?!) pudéssemos construir outra memória mais leve, limpa, harmoniosa e feliz.
Como eu lhe dizia...
Faça o que lhe ditar seu interior, seus próprios grilhões já lhe tolhem. Fantasmas, fantasminhas; duendes, fadas; bruxas, tudo criação sua. Arrume outro brinquedo. Sim, lúdico. Jogue os dados, lance a sorte. Não é discurso paranóico. Estética da esquizofrenia? Você vê arte em tudo: no sonho e na ciência. E a sua arte de viver? Arte profana...! Sim. Alguns já se libertaram a muito do peso do pecado. Crime é ser infeliz e tornar o outro vítima de sua tristeza, de suas frutrações. Não quer o avesso, a desordem amorosa, a estética dessacralizante... tudo bem! Faça a seu modo sua história, viva! Até mais...
Nunca alguém esteve tão próximo de mim, pensei. Tive que me conter para não colocá-la no colo. Como pode essa frágil mulher viver tanto o amor pela humanidade! Quase louca, quase santa. Incompreendida. Sério, tive vontade de abraçá-la, fazer-lhe um filho. Enterrar-me em suas entranhas e só sair dali com outra face criada pela energia amorosa. E a ética? A consciência me aprisiona.
O psiquiatra neuroticamente se envolvera nas malhas e imagens do discurso amor de sua paciente. Ele não sabia o que fazer com as emoções que ela suscitou.
(...)
Maria Teresinha Martins, do livro: Rapto de Memória (págs. 36-38)
Mas existia ainda um desconforto, talvez maior que as outras dores; inconformada, não sabia que rumo dar à vida.
Dias sem sol, noites sem estrelas: pesadelos.
-Não, nada demais. Tudo bem! Você está ótima.
- Como? Se me parece que vou vomitar a alma!
-Exagero é característica sua. O que você possui em excesso, as pessoas, a maioria delas, têm de menos: imaginação e sensibilidade. Não sou oráculo, não me olhe assim. Você questiona a extinção de sua raça. Todos os seus sintomas são verdadeiros, não são dores inventadas e podem levá-la à morte naturalmente, sem tragédia; apenas não se sente mais a vida. Não faça essa expressão de desentendida. Sabe muito bem do que estou falando. A solução parece simples, mas não é, parece complexa, e não deixa de ser rotineira. O cotidiano é, às vezes, desconexo, sem sentido. As mesmas coisas podem ser feitas com ou sem prazer pela mesma pessoa, é contraditório...
-Eu sei, mas...
O excesso de amor também confunde. O perfeccionismo gera esse desconforto. Imagine, cada pessoa tem seu script, o seu papel existencial que bem ou mal representa. Há que se respeitar o direito que lhe cabe.
A nós coube apenas uma insignificante ponta no espetáculo - a figura secundária que atravessa o palco como meteoro é tão fugaz que , se é percebida, logo cai no esquecimento.
-Talvez seja a hora de valorizar-se a história familiar onde quer que se encontre. As organizações coletivas representarão inúmeros EUS, incontáveis vontades.
- O pano de fundo mítico, a grande reserva ecológica, o buraco de ozônio, o final do milênio, o caos...
Obviamente tudo isso é importante. Pense e visualize o seu canto de guerra, seu grito preso, asfixiado na garganta; antes disso, sinta-o e o administre. Seja prática. O momento presente... Sinta-se dos pés às pontas dos cabelos; do fundo da alma ao mais belo e frívolo vestido; viva suas emoções nas emoções do outros: músicas, danças, pinturas, perfumes, no romance historiado quase crônica, quase vida: histórias... - Pois é, mas...
- Quem sabe se nos livrássemos do peso escuro da história que não a ajudamos a escrever, (não?!) pudéssemos construir outra memória mais leve, limpa, harmoniosa e feliz.
Como eu lhe dizia...
Faça o que lhe ditar seu interior, seus próprios grilhões já lhe tolhem. Fantasmas, fantasminhas; duendes, fadas; bruxas, tudo criação sua. Arrume outro brinquedo. Sim, lúdico. Jogue os dados, lance a sorte. Não é discurso paranóico. Estética da esquizofrenia? Você vê arte em tudo: no sonho e na ciência. E a sua arte de viver? Arte profana...! Sim. Alguns já se libertaram a muito do peso do pecado. Crime é ser infeliz e tornar o outro vítima de sua tristeza, de suas frutrações. Não quer o avesso, a desordem amorosa, a estética dessacralizante... tudo bem! Faça a seu modo sua história, viva! Até mais...
Nunca alguém esteve tão próximo de mim, pensei. Tive que me conter para não colocá-la no colo. Como pode essa frágil mulher viver tanto o amor pela humanidade! Quase louca, quase santa. Incompreendida. Sério, tive vontade de abraçá-la, fazer-lhe um filho. Enterrar-me em suas entranhas e só sair dali com outra face criada pela energia amorosa. E a ética? A consciência me aprisiona.
O psiquiatra neuroticamente se envolvera nas malhas e imagens do discurso amor de sua paciente. Ele não sabia o que fazer com as emoções que ela suscitou.
(...)
Maria Teresinha Martins, do livro: Rapto de Memória (págs. 36-38)
terça-feira, 7 de junho de 2011

Vou fazer como uma criança que está conhecendo agora o mundo, sem saber ao certo o que é verdade e o que é mentira. Questionando um por um esses dogmas estabelecidos pela hipocrisia e tabus construídos na mediocridade vou ser mais capaz de saber o que é bom pra mim. A vida é curta demais pra eu perder meu tempo seguindo um caminho que foi traçado por outros. Assim como Peter Pan, vou lutar para escapar do tic-tac sem fim do relógio na barriga do crocodilo. Não quero ser, de jeito nenhum, um adulto chato que senta no restaurante caro da moda com seu terno cinza enquanto vomita o jargão dos “bem sucedidos”. Vou procurar o meu próprio caminho. Vou fazer do meu jeito. E se eu errar, que seja um erro meu.
Assinar:
Postagens (Atom)
