quinta-feira, 24 de maio de 2012

Termos da nova dramática (Parem de falar mal da rotina) Parem de falar mal da rotina parem com essa sina anunciada de que tudo vai mal porque se repete. Mentira. Bi-mentira: não vai mal porque repete. Parece, mas não repete não pode repetir É impossível! O ser é outro o dia é outro a hora é outra e ninguém é tão exato. Nem filme. Pensando firme nunca ouvi ninguém falar mal de determinadas rotinas: chuva dia azul crepúsculo primavera lua cheia céu estrelado barulho do mar O que que há? Parem de falar mal da rotina beijo na boca mão nos peitinhos água na sede flor no jardim colo de mãe namoro vaidades de banho e batom vaidades de terno e gravata vaidades de jeans e camiseta pecados paixões punhetas livros cinemas gavetas são nossos óbvios de estimação e ninguém pra eles fala não abraço pau buceta inverno carinho sal caneta e quero são nossas repetições sublimes e não oprime o que é belo e não oprime o que aquela hora chama de bom na nossa peça na trama na nossa ordem dramática nosso tempo então é quando nossa circunstância é nossa conjugação Então vamos à lição: gente-sujeito vida-predicado eis a minha oração. Subordinadas aditivas ou adversativas aproximem-se! é verão é tesão! O enredo a gente sempre todo dia tece o destino aí acontece: o bem e o mal tudo depende de mim sujeito determinado da oração principal. Elisa Lucinda.

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