A moça senta no banco sujo daquela praça verde e fica pensando como será sua vida daqui vinte anos. Chora imaginando o que o futuro reserva. Talvez o choro seja de esperança, ou felicidade. Talvez seja só medo e tristeza mesmo.
A tristeza da moça as vezes se disfarça de nostalgia e ela diz que não machuca tanto assim ser uma moça daquele jeito. Ela dá um suspiro triste sempre que vê alguém passando. Talvez seja saudade.
A moça é tão intensa e cegante que quase ninguém a nota ali naquele banco sujo daquela praça verde. Ela coloca os fones e eu começo a sentir que talvez ela seja minha companhia para o resto da vida.
Ela sempre vai e volta por entre praças verdes, bancos sujos e lágrimas sofridas.
As vezes ela se volta contra mim, e sempre tem uma artimanha diferente.
E de repente eu aprendo que em certos dias é impossível impedir que a tristeza domine o ambiente. Nessas horas a moça deve estar chorando, em algum banco sujo de alguma praça verde, mas não tem problema, eu choro aqui também e não tem e não tem nenhum verde para alegrar meus olhos, só o cinza da fumaça docigarro.
E, eu repito: Não tem problema.
Eu gosto de cinza também.
“Submeto-me e sinto-me quase alegre.
Quase alegre como quem
se cansa de estar triste.”
[Fernando Pessoa]
(Dedicado a moça mais triste que já conheci. Eu mesma.)
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
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